Economia em Movimento
A nova lógica do consumo: por que vender produto não é mais suficiente.
O comportamento do consumidor mudou — e não foi por acaso. A explosão das mídias sociais, o avanço da tecnologia móvel e a crescente exposição a estímulos audiovisuais criaram um novo modelo mental de consumo. A compra, antes centrada na utilidade do produto, agora passa por um filtro sensorial, emocional e social.
Segundo o relatório Global Consumer Insights Pulse Survey 2023, da PwC, mais de 70% dos consumidores globais esperam que as marcas entreguem experiências envolventes, e não apenas produtos ou serviços. No Brasil, esse número é ainda mais expressivo, impulsionado pelo uso massivo das redes sociais como vitrine e canal de influência.
O consumidor contemporâneo não quer apenas ver vitrines ou sentar-se para comer. Ele quer viver algo que valha ser lembrado — e compartilhado. Por isso, marcas como a Zara passaram a incluir cafés sofisticados em suas lojas conceito, como em Madrid, Paris e Lisboa. Trata-se de transformar a ida à loja em um momento de convivência e bem-estar, criando ambientes instagramáveis, com identidade sensorial e apelo estético que dialoga com o estilo de vida do público.
Esse movimento, chamado de economia da experiência (conceito popularizado por Pine e Gilmore em 1998, mas cada vez mais atual), é um diferencial competitivo. Experiência virou estratégia. E virou também conteúdo — afinal, o que o consumidor vive, ele publica. Isso amplia organicamente o alcance da marca, fortalece vínculos e gera capital simbólico.
No Vale do Paraíba, constatamos esta tendência na prática. Em Taubaté, bares restaurantes e até padarias, apostam em ambientações temáticas e música ao vivo, tudo para obter mais atenção do cliente, e oferecer uma experiência que convide à permanência e retorno.
Em São José dos Campos, o Ao Vivo Bar investe na junção entre gastronomia e entretenimento ao vivo. São ambientes pensados para encantar, surpreender e envolver.
Estudos da McKinsey & Company apontam que consumidores dispostos a pagar mais por boas experiências são também os mais fiéis. Ou seja, investir em experiências não é apenas agradar o cliente — é garantir retorno, recorrência e fortalecimento de marca.
A lógica se inverteu: não se trata mais de como vender, mas de como encantar. E, nesse novo cenário, a pergunta central que empresários e gestores devem se fazer é: que experiência meu negócio entrega?
Ao poder público, temos outro questionamento. A legislação, acompanha a tendência? Existe diálogo, entre o poder público, e o comerciante, a fim de se entender qual a nova realidade, para continuar evoluindo, gerando emprego e renda?
As associações que representam o comércio, estão se atualizando? Representam o comerciante, ou estão perdendo espaço?