Cultura que gera negócios: por que o Governo de SP transformou a Secretaria de Turismo em Secretaria da Indústria Criativa
Em junho de 2023, o Governo do Estado de São Paulo anunciou uma mudança significativa: a antiga Secretaria de Turismo e Cultura ganhou um novo nome e nova missão, passando a se chamar Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
A mudança não foi meramente estética — ela representa uma guinada estratégica no modo como o poder público reconhece e valoriza a cultura como potência econômica.
Economia Criativa: a nova locomotiva de SP
A decisão foi embasada por dados consistentes: a economia criativa já representa mais de 3% do PIB paulista e emprega mais de 2,5 milhões de pessoas no Estado. São profissionais que atuam em áreas como música, audiovisual, moda, gastronomia, design, tecnologia, artes visuais, arquitetura, games e eventos culturais. Isso sem contar os milhares de trabalhadores envolvidos nos bastidores — eletricistas, marceneiros, cenógrafos, técnicos de som, motoristas, montadores.
Essa cadeia criativa, antes vista apenas como “expressão cultural”, agora é tratada como indústria — com produção, circulação, consumo, geração de receita e impacto direto na economia local.
Do palco à exportação: programas que movimentam o setor
A nova Secretaria passou a operar com uma abordagem ampliada e ousada. Dentre os principais programas, destacam-se:
CreativeSP
Um programa de internacionalização da produção cultural paulista. Por meio dele, empresas e criadores do setor audiovisual, games, música e design têm apoio para participar de grandes feiras internacionais como o SXSW (EUA), Gamescom (Alemanha) e MIDEM (França), levando o talento paulista ao mundo e gerando negócios reais.
#CulturaSP – Fomento direto e via incentivo fiscal
Antigo ProAC, o programa passou por reformulações e hoje atua por meio de editais e renúncia fiscal, apoiando:
- Festivais e circuitos culturais em cidades pequenas e médias.
- Projetos de formação artística.
- Circulação de espetáculos.
- Manutenção de grupos culturais.
- Modernização de equipamentos públicos de cultura.
- SP Gastronomia e SP Criativo
Eventos que misturam gastronomia, arte, cultura e turismo, incentivando o consumo local, o resgate de tradições e o empreendedorismo criativo. Um prato típico, uma feira, uma boa música ao vivo… e todo um ecossistema de bares, restaurantes, pousadas, artesãos e produtores é ativado.
Requalificação de equipamentos culturais
A Secretaria também tem investido na reabertura e modernização de espaços culturais, como:
- Museus, como o MIS e a Pinacoteca.
- Oficinas culturais e Fábricas de Cultura.
- Parcerias com municípios para revitalizar teatros, centros culturais e bibliotecas no interior.
- Interior em foco: descentralização real
Talvez o maior ganho da nova política pública seja a interiorização dos investimentos culturais. Cidades de médio e pequeno porte passaram a receber editais direcionados, formação técnica para artistas e gestores culturais, além de eventos itinerantes do próprio Governo do Estado.
O novo olhar permite que eventos regionais — como festas juninas, festivais gastronômicos, encontros de música, teatro e dança — passem a ser vistos como estratégias econômicas, gerando:
- Empregos temporários e permanentes.
- Movimentação do comércio, hotelaria e gastronomia.
- Fluxo turístico e fortalecimento da identidade local.
- Formação e profissionalização
A Secretaria também vem atuando na capacitação de artistas, produtores e gestores municipais, oferecendo apoio para a:
- Elaboração de projetos para editais estaduais e federais.
- Regularização fiscal e jurídica de grupos culturais.
- Formalização de MEIs, cooperativas e associações.
- Política pública com visão de futuro
A mudança de nome da Secretaria foi o símbolo de um novo posicionamento: entender cultura e criatividade como ferramentas reais de geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico regional. Um modelo já adotado por grandes cidades globais e que agora se consolida em São Paulo.
É hora de prefeitos, vereadores, empresários e secretários municipais incorporarem essa visão, investindo em festivais, formações, atrações e políticas locais que valorizem os talentos da terra, atraiam visitantes e façam girar a roda da economia criativa.