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Confusão na Câmara de Taubaté marca sessão sobre teto de gastos e gera repercussão

Uma confusão generalizada marcou a sessão ordinária da Câmara Municipal de Taubaté na noite do dia sete (7) de outubo, interrompendo temporariamente os trabalhos do Legislativo. O episódio envolveu servidores da Prefeitura, funcionários da Câmara e vereadores, em meio à discussão do projeto de lei do prefeito Sérgio Victor (Novo) que institui o teto de gastos no município.

Ana Paula Zarbietti | Data: 18/10/2025 07:19

A sessão transcorria de forma tensa, no plenário estavam servidores municipais contrários à proposta. Por volta das 20h30, segundo relatos, parte do público passou a bater com força nos vidros das galerias, gesto que motivou a intervenção de servidores legislativos. As câmeras internas da Casa registraram o momento em que um servidor solicita, de forma verbal e sem agressividade, que os manifestantes cessassem os atos considerados de vandalismo contra o patrimônio público.

No entanto, o que seria uma tentativa de diálogo rapidamente se transformou em confronto. De acordo com o vereador Moisés Pirulito (PL), que aparece em vídeos tentando intervir, a confusão começou quando “dois servidores da Casa Legislativa foram agredidos por um grupo de manifestantes exaltados”. O parlamentar afirmou em nota que “em momento algum fui até o local com a intenção de agredir quem quer que seja. O que de fato aconteceu foi uma tentativa de defesa de dois servidores que estavam sendo atacados enquanto exerciam suas funções”.

Imagens gravadas por celulares de dentro do plenário mostram o vereador em cima de uma cadeira, discutindo com um servidor da Prefeitura cena que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e veículos de imprensa. O vídeo, no entanto, mostra apenas um dos ângulos do tumulto. Nas gravações das câmeras de segurança da Câmara, é possível observar outro contexto: o momento em que manifestantes agridem o servidor da Casa e batem com força nos vidros.

Em outro trecho das imagens, um manifestante aparece utilizando um megafone para incitar o grupo, dizendo e apontando os vereadores: “Só com a nossa força, com a nossa coragem a gente vai infernizar a vida deles para eles ficarem com medo de votar e destruir o nosso futuro, esses pilantras, esses canalhas”. O homem, que vestia uma camiseta do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) — partido de esquerda — foi ovacionado por parte do público presente. Segundo registros posteriores, ele trocou de roupa logo após o tumulto, deixando o local com outra vestimenta.

A sessão foi suspensa pelo presidente em exercício, vereador Bobi (PRD), que solicitou a presença da Guarda Civil Municipal (GCM) para conter os ânimos. Os trabalhos foram retomados cerca de 40 minutos depois.

Em nota, a Câmara Municipal informou que “lamenta o ocorrido” e que os envolvidos foram conduzidos à Delegacia de Polícia para registro do boletim de ocorrência. A Casa também reiterou que os vídeos internos estão à disposição das autoridades para investigação.

O episódio ocorre em meio ao debate sobre as medidas de ajuste fiscal propostas pelo Executivo, necessárias diante da grave situação financeira do município. Taubaté enfrenta uma dívida expressiva, cuja inadimplência em relação às parcelas do CAF (Corporación Andina de Fomento) pode levar à perda da Certidão Negativa de Débitos (CND), comprometendo o repasse de recursos federais e a execução de diversos convênios. Diante desse cenário, o governo municipal tem defendido a adoção de um teto de gastos com transparência, o qual é uma das condições do Plano de Promoção de Equilíbrio Fiscal para reorganizar as contas públicas e restabelecer a capacidade de investimento da cidade.

Na sessão seguinte ao episódio lamentável, os vereadores demonstraram unidade ao fazer gestos simbólicos contra qualquer forma de violência, reafirmando que esse tipo de comportamento não faz parte de uma manifestação pacífica e democrática. Também manifestaram solidariedade ao servidor da Casa agredido e apoio ao vereador Moisés Pirulito, destacando que a Câmara deve permanecer como espaço de diálogo e respeito mútuo. Um dos vereadores, inclusive, apresentou proposta para dar o nome do pai de Moisés Pirulito a uma rua do município, como forma de reconhecimento e gesto de apoio.

Conclusão:
Episódios como o ocorrido acendem um alerta sobre o papel das lideranças políticas e o risco de incitar comportamentos exaltados em nome de causas populares. Quando a verdade é distorcida e a dor das pessoas é usada como manobra política ou palanque pessoal, a sociedade inteira perde. A democracia se fortalece com o debate responsável, o respeito institucional e a transparência  nunca com a desordem, o medo ou a manipulação emocional de quem luta por seus direitos de forma legítima.

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