Trump pressiona aliados e afaga gigantes China e Rússia.
Na campanha o foco era a China, na gestão são os aliados.
O novo presidente americano, Donald Trump, começou seu segundo mandato com a corda toda, diria minha avó.
Durante a campanha eleitoral, Trump fez duras críticas à China e afirmou que acabaria com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Porém, empossado como presidente, o que se vê até agora é algo diferente.
Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, ele diminuiu o tom das críticas e elogiou o presidente chinês, Xi Jinping, dizendo inclusive que “sempre gostei dele. Sempre tivemos um relacionamento muito bom”.
De outro lado, as relações com Putin também parecem promissoras. Recentemente, Trump afirmou que a Ucrânia “pode ser russa um dia” e cobrou 500 bilhões de dólares pela ajuda militar passada e futura.
Até aqui, não temos nada de anormal; nos tempos atuais, discursos eleitorais focados em agradar o eleitor e que depois não se confirmam são comuns em todo o mundo.
O que surpreende é a disposição do presidente americano em confrontar aliados históricos, como Canadá, México, Dinamarca, Panamá e Colômbia.
Canadá e México estão na lista dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos; a Colômbia é o maior parceiro comercial na América do Sul e foi o único país do continente a apoiar declaradamente a invasão americana no Iraque, sem mencionar as bases americanas em solo colombiano.
O canal do Panamá foi financiado e administrado pelo governo americano por quase um século, e o controle foi passado ao país caribenho somente em 1999. Desde então, os Estados Unidos são o maior — para não dizer o único — país com influência no local.
Ao anunciar o desejo de controle da Groenlândia, inclusive com o uso de força militar se necessário, Trump ataca mais um aliado histórico. A Groenlândia é território autônomo dinamarquês; com isso, o governo da Dinamarca aumentou a presença militar na ilha. Vale lembrar que ambos são membros da OTAN e que soldados dinamarqueses estiveram no Afeganistão.
Ao tomar essas atitudes, que são no mínimo pouco diplomáticas, o governo americano passa uma mensagem ruim ao resto do mundo: os Estados Unidos não são mais um parceiro confiável.
Não existe em todo o mundo nenhum país autossustentável; as relações com outras nações são essenciais. Quando um parceiro passa a impor condições, a base dessa união tende a balançar.
Ser a maior economia do mundo não significa ser a única economia do mundo. Os Estados Unidos de Trump não são os mesmos de Roosevelt e Truman; existem outras economias, como Índia, Arábia Saudita e, principalmente, a China, que podem aproveitar o momento instável e buscar novos acordos com os insatisfeitos.
Essa política externa tende a agravar a inflação americana e não a diminuí-la.
Quanto a nós, nenhuma exigência direta foi anunciada pelo governo americano até então. O Brasil é um aliado de longa data; não temos o tamanho da China nem armas nucleares como a Rússia para que Trump fale manso conosco.
Espero que tudo não passe de uma estratégia política que, ao mesmo tempo, agrade o eleitorado com a promessa de uma América grande e, por outro lado, coloque medo em países mais fracos, tornando-os subservientes aos Estados Unidos, mas dessa vez não pelas parcerias e garantias americanas e sim por pressão e medo.
Em tempo:
- Em 23 de fevereiro, teremos a eleição de um novo primeiro-ministro na Alemanha.
- O segundo turno das eleições presidenciais no Equador será em 13 de abril, entre o atual presidente Daniel Noboa e Luisa González