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Trump & Musk, eu avisei.

O divórcio político mais previsível dos últimos anos aconteceu mais rápido do que se esperava.

Felipe Mazzuia | Data: 12/06/2025 18:54

Longe de puxar a brasa para a minha sardinha, mas eu disse desde o começo do ano — inclusive está gravado em uma das minhas participações no podcast Arena T7 — que o casamento entre Trump e Musk não duraria muito.

O que me impressionou foi ver diversos correspondentes internacionais e cientistas políticos surpresos com a crise entre a SpaceX/Tesla e o governo. Onde está a surpresa?

Trump e Musk estão em lados opostos. Quando se está no governo, decisões e políticas adotadas podem interferir diretamente em grandes empresas. Em tese, é preciso buscar o bem comum e alinhar essas políticas aos grandes setores da sociedade — suas grandes empresas.

Mas, quando se é uma multinacional de bilhões de dólares, tudo vira número: um gráfico deve ser o menor possível, enquanto outro deve ser o maior possível.

Eles podem concordar com cortes de gastos, política migratória, Israel e até o suposto genocídio na África do Sul. Elon Musk era considerado um dos principais aliados de Donald Trump, chegando até a liderar um departamento chamado “DOGE” (Department of Government Efficiency) dentro do governo Trump.

Tudo ia bem até o “One Big Beautiful Bill”.

O pacote de gastos e incentivos proposto por Donald Trump, que supostamente focaria em beneficiar setores industriais tradicionais (como petróleo, carvão, aço e defesa), com cortes de subsídios e contratos para empresas consideradas “antipatrióticas” ou “politizadas”, atingiria, indiretamente, Elon Musk.

O plano previa a eliminação de créditos fiscais para veículos elétricos e energia limpa, o que impactaria diretamente a Tesla e a SolarCity — empresas do grupo Musk que dependem parcialmente desses incentivos. Haveria também uma revisão dos contratos governamentais com empresas que, segundo ele, “usam dinheiro público para sabotar a América”. Com isso, a SpaceX poderia ser afetada em projetos ligados à NASA, ao Pentágono e ao programa militar do Starlink.

A reação do mercado foi forte: as ações da Tesla caíram cerca de 14%.

Na prática, Musk recuou nas ofensas e acusações, apagou publicações e se disse disposto a retomar o diálogo, inclusive por meio de contato com o vice-presidente e com o chefe de gabinete.

Trump respondeu positivamente, dizendo que o gesto foi “muito gentil” e que ainda pretenderia manter contratos como o do Starlink. A Casa Branca confirmou que, por ora, não há revisão ou cancelamento dos contratos existentes entre as companhias de Musk e o governo.

Existe um sábio dito popular que diz: “dois bicudos não se beijam” — o que, segundo alguns, não tem qualquer relação com aves. Trump e Musk são dois bicudos: milionários, detentores de forte influência local e global, cheios de si, personalidades inexoráveis.

Trump sempre esteve incomodado com o excesso de holofotes sobre Musk e com as insinuações de que quem mandava era o empresário. Até por isso, um plano que confronta diretamente os interesses do aliado pode ter como uma das intenções a demarcação de um limite de poder e força entre eles.

Outra (não) novidade é: enquanto despreparados brincam de governar, a população é a mais prejudicada.

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