MERCOSUL: Entre farpas e acordos econômicos
Brasil assume presidência do bloco econômico sul-americano e visa celebrar acordos com Uniao Europeia e países nórdicos para impulsionar a própria economia.
Teve início hoje, em Buenos Aires, capital da Argentina, o encontro da cúpula do Mercosul, no qual o Brasil assume a presidência do bloco até dezembro. Pela primeira vez, o bloco apresenta tamanha divergência entre os líderes das principais economias integrantes: Lula e Milei.
Por exemplo, o presidente brasileiro defende que estar no Mercosul "protege" os países que integram o bloco. Já o presidente argentino afirma que as ações conjuntas do grupo acabam prejudicando a maior parte dos cidadãos. Ao fim do encontro, o presidente brasileiro receberá de Milei o comando do bloco pelos próximos seis meses.
Pelas regras do Mercosul, há um revezamento semestral na direção do grupo, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — a Bolívia está na fase final do processo de adesão.
Esta é a primeira viagem de Lula à Argentina desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, o que quebrou a tradição de o presidente eleito em um país fazer a primeira viagem oficial ao vizinho. Brasil e Argentina possuem fortes relações diplomáticas e comerciais, mas os presidentes ainda não tiveram uma reunião reservada de trabalho. Ao contrário, costumam trocar críticas pela imprensa.
Agora, à frente do Mercosul, o Brasil pretende intensificar as tratativas para a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Caso seja ratificado, o acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo. No entanto, sua entrada em vigor depende da aprovação dos países integrantes dos dois blocos, o que torna o processo moroso e, segundo alguns, impossível de se concretizar.
Entretanto, o presidente brasileiro acredita que o cenário internacional, com a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, incentivará a União Europeia a assinar o acordo.
Além disso, o Brasil conduzirá o avanço dos trâmites para implementar um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês), composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
Segundo o Itamaraty, as negociações foram concluídas, e o texto está na fase de revisão, devendo ser divulgado em agosto. Ainda não há uma data prevista para a entrada em vigor do acordo.
O acordo de livre comércio deve impulsionar as exportações brasileiras, especialmente de commodities agrícolas, e reduzir o custo de produtos importados, como medicamentos. A previsão é de que o comércio bilateral cresça 10%, com impacto estimado de US$ 7,2 bilhões.
Embora os países da EFTA não estejam entre os principais parceiros comerciais do Brasil, o acordo é considerado relevante por incluir nações com peso específico em áreas estratégicas.
As regras estabelecem cotas específicas e reconhecimento prévio do sistema de inspeção sanitária do Brasil, o que deve agilizar a liberação de produtos nos países europeus.
Especialistas apontam que medicamentos podem ficar mais acessíveis ao consumidor brasileiro, já que os países da EFTA são importantes produtores desse tipo de item.