Benjamin Netanyahu usa guerra como projeto de manutenção do poder
Netanyahu e a política da perpetuação no poder pela guerra
Benjamin Netanyahu, o líder mais longevo da história de Israel, utiliza-se de uma calculada estratégia de sobrevivência política, os conflitos armados. Com isso busca consolidar apoio interno, desviar atenções de crises políticas e manter-se no poder.
Desde seus primeiros mandatos, Netanyahu se apresenta como o "guardião de Israel", construindo sua imagem política sobre o discurso de segurança. Ele recorre a um vocabulário de medo e urgência: o Irã como ameaça nuclear, o Hamas como inimigo permanente, e a Cisjordânia como zona de risco. Esses elementos foram transformados em capital político sempre que sua popularidade vacila ou quando enfrenta escândalos.
A mais recente manobra teve início entre os anos de 2023/2024, enfrentando acusações de corrupção e intensos protestos contra sua reforma judicial, Netanyahu é colocado novamente no centro de uma escalada militar sem precedentes em Gaza. A guerra ajuda a silenciar críticas internas e criar um ambiente de coesão nacional.
O ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, o maior já lançado contra o território israelense por esse grupo, e marcou uma escalada sem precedentes no conflito entre Israel e Palestina — sendo, inclusive, um ponto de inflexão que fortaleceu politicamente Benjamin Netanyahu, apesar das críticas anteriores à sua gestão.
O Governo trata o 07 de outubro como o 11 de setembro deles, e não sou eu quem digo, a mídia israelense aponta essa tomada de decisão pelo governo. Ao ter esta perspectiva Netanyahu consegue sustentar a ofensiva á base que do vale-tudo.
A última ofensiva, desta vez contra o Irã, teve apoio velado de outros países da região e da Europa. Não é segredo que um país comandado por radicais com bombas atômicas não agrada nenhum de seus vizinhos e as grandes potencias, por esse motivo se viu tão pouca retaliação neste caso, o que se difere muito da guerra em Gaza.
O primeiro-ministro precisa manter-se no comando da nação para que assim o processo contra ele por corrupção mantenha-se suspenso e um novo para apuração de sua responsabilidade pelo ataque sofrido em 07 de outubro.
A guerra se torna, para ele, mais do que um evento militar: vira uma narrativa de sobrevivência, onde ele próprio é apresentado como indispensável.