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Ano novo, políticas velhas: o ataque americano à Venezuela

A captura de Nicolás Maduro reacende o debate sobre intervenção estrangeira, soberania estatal e interesses estratégicos no continente.

Felipe Mazzuia | Data: 03/01/2026 15:39

O governo norte-americano anunciou a captura do presidente-ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa.

Na madrugada desta terça-feira, uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela. A operação, conduzida em larga escala, bombardeou locais estratégicos do governo venezuelano enquanto forças especiais invadiam o país e sequestravam Nicolás Maduro e sua esposa.

O pano de fundo da ofensiva militar, segundo o governo americano, é o combate ao tráfico internacional de drogas. Maduro e sua esposa seriam chefes de um grande cartel internacional fornecedor de drogas e armas ao mercado, ilegal, estadunidense.

O primeiro ponto a ser considerado é a invasão de um Estado soberano por outro. Em pleno 2026, a arcaica forma de demonstrar força ainda prevalece, seja por democracias, seja por regimes totalitários, vide a Rússia. No mundo moderno, essa conduta não tem mais espaço; ou, ao menos, não deveria ter.

Vale lembrar que, no primeiro mandato de Donald Trump, Maduro já era alvo declarado. À época, chegou-se a cogitar apoio do Brasil para que, a partir do nosso território, fosse lançada uma ofensiva terrestre contra a Venezuela. Jair Bolsonaro, contudo, foi convencido pelo alto comando militar brasileiro a não compactuar com o plano.

Retomando o pano de fundo da operação, o governo americano substituiu, de forma habilidosa, o discurso do combate a regimes ditatoriais, utilizado por George W. Bush para justificar a invasão do Iraque, pelo argumento do combate ao narcotráfico. O motivo é simples: se os Estados Unidos fossem “levar democracia ao mundo”, teriam de invadir uma infinidade de países, incluindo a Rússia e diversos Estados africanos.

O combate ao narcotráfico não passa de narrativa conveniente, uma cortina de fumaça. Três hipóteses reais pairam sobre os verdadeiros motivos do ataque: acesso ao petróleo e aos minerais venezuelanos; eliminação da influência chinesa e russa no continente americano;
demonstração de força aos demais países da América do Sul.

Agora, após a extração, ou sequestro, do ditador-presidente, seus aliados permanecem no comando do país, o que mantém o regime ditatorial, ainda que com novas figuras no poder.

Ao que tudo indica, o governo norte-americano não deve intervir diretamente na reorganização interna do país, apostando que o vácuo de poder inflame a população venezuelana a tomar as ruas clamando por novas eleições. Caso isso não ocorra, o regime tende a se perpetuar.

A tendência é que, mesmo à distância, os Estados Unidos abram espaço para um governo de oposição disposto a negociar petróleo e minerais com empresas americanas e a selar a “normalização” das relações diplomáticas, com a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas.

 

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