Polícia Civil investiga invasão e acesso a documentos sigilosos na Câmara de Roseira
Documentos sigilosos teriam sido abertos dentro da sala do procurador legislativo; Polícia Civil registrou a ocorrência e realizou perícia no local
O gabinete do procurador da Câmara Municipal de Roseira, Danilo Elias dos Santos, foi alvo de um acesso não autorizado que está sendo investigado pela Polícia Civil. O caso foi registrado como não criminal na delegacia da cidade.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a vítima, um homem de 31 anos, informou que deixou seu escritório e, ao retornar, percebeu que alguém havia mexido em alguns documentos, sem causar danos ao local.
Em relato à reportagem, o procurador afirmou que chegou ao gabinete por volta das 8h da manhã e encontrou a porta destrancada. Sobre a mesa, segundo ele, havia diversos envelopes com documentos sigilosos e procedimentos em andamento e já arquivados, todos abertos.

Danilo disse que acionou servidores para testemunharem a situação e, em seguida, chamou a Polícia Militar. A área foi isolada e ele seguiu até a delegacia para o registro da ocorrência. A Polícia Científica também esteve no local para realizar perícia, com coleta de digitais e levantamento de imagens de segurança.
De acordo com o procurador, entre os documentos acessados estavam dados sigilosos de servidores, denúncias anônimas, informações de ex-presidentes da Câmara e processos relacionados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Ele informou ainda que, após a finalização do boletim de ocorrência, o caso também será encaminhado ao Ministério Público.
A Associação Nacional da Advocacia Pública Municipal (ANAPM) divulgou nota de repúdio sobre o episódio e classificou o caso como uma grave violação das prerrogativas da advocacia pública.
Segundo a entidade, a invasão e o possível acesso indevido a documentos sensíveis representam afronta à independência técnica e à liberdade funcional da atuação jurídica no poder público. A associação também declarou solidariedade ao procurador e afirmou que acompanhará a apuração dos fatos, podendo adotar medidas institucionais junto às autoridades competentes.