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Política

“Parem de matar mulheres”: pichação em prédio da Câmara de Tremembé é investigada

Autores foram identificados com apoio do COI; frase escrita no local faz referência ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil e levanta debate sobre violência contra a mulher

Marcelo Caltabiano | Data: 10/04/2026 11:27

A Polícia Civil investiga a pichação registrada no prédio anexo da Câmara Municipal de Tremembé, ocorrida na madrugada do dia 4 de abril. Além dos danos à fachada do imóvel público, uma das frases deixadas pelos autores foi “parem de matar mulheres”, o que chamou a atenção.

De acordo com a Prefeitura, o prédio foi alvo de vandalismo e teve a fachada pichada. Com apoio das imagens do Centro de Operação Integrada (COI), os suspeitos foram identificados. Segundo as investigações, eles vieram de outro município e o caso segue em apuração, com apoio da administração municipal e da Câmara.

O delegado da delegacia de Tremembé, Daniel Estefano, afirmou que os envolvidos são jovens que integram ou simpatizam com um movimento denominado “aqui é punk”, e que já teriam praticado atos semelhantes em cidades da região, como Taubaté e Pindamonhangaba. O grupo é composto por homens e mulheres.

Segundo o delegado, as imagens seguem sendo analisadas e as investigações estão avançadas. Ele também destacou que os responsáveis podem responder criminalmente pelos atos.

“Seria importante que os próprios responsáveis procurassem a Polícia Civil para que possamos entender os objetivos do grupo. A ausência de diálogo pode acarretar responsabilização criminal”, afirmou. Ele acrescentou que manifestações podem ocorrer por meios legais, como ações artísticas autorizadas.

Apesar da irregularidade da ação, a frase escrita no local remete a um problema recorrente no país: a violência contra a mulher, especialmente os casos de feminicídio.


Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O levantamento indica que 8 em cada 10 casos são cometidos por parceiros ou ex-companheiros.

A maioria dos crimes ocorre dentro da própria residência, representando 66,3% dos casos. Em 48,7% das ocorrências, são utilizados objetos comuns, como facas, o que reforça o caráter doméstico da violência. Em 97,3% dos registros, os autores são homens.

O estudo também aponta desigualdades estruturais: 62,6% das vítimas são mulheres negras, evidenciando maior vulnerabilidade social e menor acesso a redes de proteção.

Outro dado destacado é a concentração dos casos em cidades menores. Municípios com até 100 mil habitantes registram taxas de feminicídio superiores à média nacional, ao mesmo tempo em que possuem menor estrutura de atendimento, como delegacias especializadas e casas de acolhimento.

Nesse contexto, especialistas apontam que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ampliação da rede de proteção, aplicação efetiva de medidas já previstas em lei e maior presença do Estado em regiões com menor cobertura de serviços.

O grupo citado na investigação faz referência ao movimento punk, uma manifestação cultural que surgiu nas décadas de 1970 no Reino Unido e nos Estados Unidos, marcada por críticas ao sistema político e social, valorização da liberdade individual e contestação de desigualdades.

Embora não seja um movimento homogêneo, parte da cultura punk incorporou, ao longo do tempo, pautas ligadas ao feminismo e à luta contra a violência de gênero, especialmente a partir da década de 1990, com iniciativas que buscavam denunciar abusos e promover igualdade.

A Prefeitura de Tremembé informou que os reparos no prédio já estão sendo realizados. A investigação segue para identificação completa dos envolvidos e eventual responsabilização pelos danos ao patrimônio público.

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