Mar de sangue: com 70% dos homicidios do Litoral Norte Caraguatatuba é a cidade mais violenta do Vale do Paraiba
Município registrou 12 homicídios em apenas três meses, lidera os índices de assassinatos em toda a região e acumula casos recentes de execuções, perseguições fatais e crimes ligados ao tráfico e ao chamado “tribunal do crime”
Caraguatatuba se tornou a cidade mais violenta do Vale do Paraíba e Litoral Norte em 2026. O município registrou 12 homicídios dolosos apenas entre janeiro e março deste ano, liderando os índices de assassinatos em toda a região e superando cidades maiores do interior paulista.
Os dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que nenhuma outra cidade do Vale do Paraíba e do Litoral Norte teve número tão alto de homicídios no primeiro trimestre. Além das 12 mortes, Caraguatatuba também contabilizou 11 tentativas de homicídio no período.
No Litoral Norte, a diferença é ainda mais evidente. Das 17 mortes registradas nas quatro cidades da região, 12 aconteceram em Caraguatatuba, o que representa mais de 70% de todos os homicídios.
Ubatuba aparece bem atrás, com 3 homicídios. São Sebastião registrou 2 assassinatos e Ilhabela não teve nenhuma morte violenta até março.
Mesmo mantendo estabilidade em relação a anos anteriores, Caraguatatuba segue no topo da violência letal. Em 2023, também foram 12 homicídios no primeiro trimestre. Em 2024 e 2025, o município havia registrado 10 mortes no mesmo período.
A sequência de crimes recentes ajuda a explicar o cenário e expõe a escalada da violência em diferentes bairros da cidade.
No dia 21 de abril, um jovem de 21 anos morreu após ser perseguido por um carro e colidir com uma van estacionada na Avenida Geraldo Nogueira da Silva, no bairro Indaiá.
Segundo a Polícia Civil, a vítima havia se envolvido em uma discussão em uma adega no centro da cidade. Após a confusão, o suspeito, de 19 anos, teria ameaçado o jovem de morte, tentado atropelá-lo e iniciado uma perseguição em alta velocidade pela Avenida da Praia.
Imagens de monitoramento mostraram o carro pressionando a motocicleta até forçar a colisão. O caso foi registrado como homicídio qualificado e o suspeito foi preso em flagrante.
Em outro caso, um jovem de 18 anos foi morto a tiros no bairro Sumaré após sair de um bar com amigos. O grupo aguardava transporte por aplicativo quando um carro passou e um dos ocupantes efetuou diversos disparos. A vítima foi atingida no tórax e morreu após ser levada à UPA Centro.
A cidade também registrou um caso de sequestro, tortura e tentativa de execução ligado ao chamado “tribunal do crime”. Um homem de 27 anos foi levado à força por criminosos até uma área isolada na Estrada dos Pássaros, onde sofreu agressões e diversos disparos.
Mesmo baleado na perna, costas, mão e próximo à orelha, ele conseguiu sobreviver após fingir estar morto. Três suspeitos foram presos pela Polícia Civil em menos de 24 horas.
No bairro Tingá, um adolescente de 17 anos foi morto a tiros após ser surpreendido por criminosos em uma bicicleta motorizada. Dias depois, três adolescentes foram apreendidos por participação no crime, e um deles confessou envolvimento.
Também houve homicídios no Caputera e no Getuba, onde jovens foram encontrados mortos após disparos de arma de fogo, ampliando a sensação de insegurança em diferentes regiões da cidade.
Os casos mostram que a violência em Caraguatatuba envolve desde desavenças pessoais até disputas ligadas ao tráfico de drogas, organizações criminosas e execuções planejadas.
Enquanto cidades como Ilhabela seguem sem homicídios em 2026 e municípios maiores do Vale apresentam números inferiores, Caraguatatuba permanece isolada como a cidade com mais assassinatos da região.
O primeiro trimestre confirma que o principal foco da violência letal no Vale do Paraíba e Litoral Norte está em Caraguatatuba, que lidera o ranking e enfrenta uma rotina marcada por homicídios e tentativas de execução.