Funcionários da Gerdau de Pindamonhangaba entram em greve nesta segunda-feira
Os funcionários da Gerdau iniciaram na manhã desta segunda-feira (15) uma greve contra a possibilidade de 400 demissões na fábrica de Pindamonhangaba
Os funcionários da Gerdau, empresa produtora de aço especiais para o ramo automotiva, iniciaram na manhã desta segunda-feira (15) uma greve contra a possibilidade de 400 demissões na fábrica de Pindamonhangaba.
O Sindicato dos Metalúrgicos publicou nota oficial em que explicou que as demissões seriam consequência de um anúncio da Gerdau sobre a intenção de fechar um setor de fabricação de cilindros, com 400 funcionários, até o final deste ano.
De acordo com o Sindicato do setor, em reunião realizada na sexta-feira, a empresa afirmou que é uma decisão da Gerdau encerrar esse tipo de atividade, pois ela não tem “margens de lucro adequadas”. O setor é o mesmo que a empresa fez uma parceria com grupos japoneses e desfez o negócio 10 meses atrás.
A empresa também cita o aumento da entrada de aço importado da China e as complicações do tarifaço dos EUA. Segundo o sindicato, dados do Ministério de Desenvolvimento (Comex Stat) apontam que 47% da exportação de ‘Laminadores de metais e seus cilindros’ de Pindamonhangaba é destinada aos EUA, e o setor continua com a tarifa estipulada pelo presidente Donald Trump em 50%.
Em nota, a Gerdau confirmou que vai encerrar em dezembro a linha de produtos da área de cilindros e que a decisão "reflete o cenário desafiador da indústria nacional do aço em função da entrada excessiva de aço importado", além da estratégia em focar em ativos com maior rentabilidade.
Nos relatórios financeiros, a Gerdau afirma que o caixa se mantém saudável, mantendo os investimentos que já estavam definidos, inclusive em Pindamonhangaba, e mantém pagamentos consistentes aos acionistas - foram R$ 641 milhões no primeiro semestre.
“A produção está realmente baixa na fábrica, no setor de cilindros também, mas ele está produzindo. A Gerdau vai deixar famílias desempregadas porque esse segmento de negócio não está atingindo a margem de lucro que ela quer. A empresa não quis nem discutir o plano Brasil Soberano, de enfrentamento ao tarifaço, e está fazendo esse anúncio agora no pico da campanha salarial. O protesto teve adesão total, os trabalhadores votaram pela greve por unanimidade”, afirmou o presidente do sindicato, André Oliveira.
A Gerdau informou na nota que mantém diálogo constante com o sindicato e o seu compromisso no cuidado com as pessoas.
O sindicato afirmou que cobrou o remanejamento ou qualquer outra forma de manutenção dos postos de trabalho, mas não houve negociação.
Segundo o sindicato, nesta segunda-feira haverá assembleia com os demais turnos, mas a greve segue até terminar o dia. O sindicato segue tentando abertura da empresa para negociação, que se houver, será votada nesta terça-feira de manhã. Caso não haja proposta, os trabalhadores pretendem seguir em greve.
Atualmente, a fábrica de Pindamonhangaba da Gerdau conta com 2 mil funcionários diretos e 400 terceirizados.


Foto: Sindicato dos Metalúrgicos