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Wagner Moura faz história no Globo de Ouro e reforça a força do audiovisual como memória, identidade e indústria cultural

Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Fernanda Torres e tantos outros artistas brasileiros estão provando que contar nossas histórias com verdade, rigor e sensibilidade não apenas emociona o mundo, conquista o mundo.

Dimas Oliveira Junior | Data: 12/01/2026 10:54

A noite do último domingo (11), no The Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, entrou para a história do cinema brasileiro. Wagner Moura tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, por sua atuação em O Agente Secreto, longa dirigido por Kleber Mendonça Filho. A conquista consagra não apenas um ator, mas reafirma o poder do audiovisual brasileiro como memória, identidade e economia criativa.

Além do prêmio individual, O Agente Secreto também venceu na categoria Melhor Filme de Língua Não Inglesa, ampliando ainda mais o impacto da produção nacional no cenário internacional. O feito aproxima Wagner Moura de uma possível indicação ao Oscar, repetindo o caminho recente de Fernanda Torres, premiada no Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui, também um filme profundamente ancorado na memória nacional.


Em seu discurso, Wagner Moura foi direto, sensível e político, no melhor sentido da palavra. Ao agradecer ao Globo de Ouro, aos indicados, à equipe, à produtora Neon e ao diretor Kleber Mendonça Filho, a quem chamou de “irmão” e “gênio”, o ator destacou o coração do filme:

O Agente Secreto é um filme sobre a memória ou a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se o trauma puder ser passado por gerações, os valores também podem ser passados de uma geração para outra.

E completou, em tom de manifesto cultural:

Esse prêmio vai para aqueles que estão ali seguindo seus valores em um momento difícil, para os nossos filhos, para a minha mulher e para todo mundo no Brasil. Viva o Brasil, viva a cultura brasileira.

Não é coincidência, e isso precisa ser dito com acidez e veemência, que dois filmes brasileiros recentemente premiados em grandes premiações internacionais, incluindo Globo de Ouro e Oscar, tratem diretamente da memória, da história e da identidade nacional. Isso não é moda. É urgência. É resposta.

Enquanto parte da sociedade insiste em desprezar suas próprias raízes, substituindo-as por referências importadas, discursos vazios ou “resgates” mirabolantes que não nos pertencem, o cinema brasileiro mostra, com força e inteligência, que olhar para dentro é um ato de coragem e soberania cultural. Sem memória, não há identidade. Sem identidade, não há futuro.

O audiovisual, além de linguagem artística, é hoje uma indústria estratégica. Dados internacionais apontam que a economia criativa audiovisual movimenta cifras superiores às da indústria automobilística, gerando emprego, renda, inovação e projeção internacional. Investir em cinema, séries e documentários não é gasto: é política de desenvolvimento, é educação simbólica, é construção de pertencimento.

Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Fernanda Torres e tantos outros artistas brasileiros estão provando que contar nossas histórias com verdade, rigor e sensibilidade não apenas emociona o mundo, conquista o mundo.

Que venham mais prêmios.
Que venha o Oscar.

Mas, sobretudo, que venha o respeito definitivo à cultura brasileira, à nossa memória e ao audiovisual como ferramenta essencial de desenvolvimento, consciência e identidade nacional.

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