TAUBATÉ, ONDE A BOIADA PASSA…
Hoje me debruço sobre mais um artigo para esta coluna com intuito de gerar discussão sobre alguns temas para aquelas pessoas que ainda dominam suas faculdades mentais e que por isso ainda são capazes de um fenômeno natural chamado CONCATENAÇÃO DE IDEIAS.
E que por esse motivo, ao se depararem com uma palavra incomum, recorrem ao dicionário para compreenderem a essência dos meus textos. Faço questão de elaborar trechos rebuscados do nosso vernáculo, vulgarmente chamada de língua portuguesa e que, graças às atrocidades do Marquês de Pombal, assumiu o lugar do NHEENGATU, língua originada do tupinambá. Essa mesma língua que Olavo Bilac adjetivou como INCULTA e BELA, eu a conheci na minha infância como língua pátria, depois língua nacional e suas outras denominações.
Todo esse prelúdio foi para alertar àqueles leitores providos de indolência mental, de fazer inveja a Jeca Tatu, que esse artigo não é sobre GADO, mas sobre respeito à natureza. Por essa razão, fiz menção à nossa ancestralidade tupinambá e ao horror colonialista da coroa portuguesa que nos impediu da posse de um idioma genuinamente “brasilis”.
Impossível falar de respeito à natureza sem reverenciar os descobridores do Brasil, os povos que ocupavam essas terras antes dos invasores portugueses aqui chegarem em 1500. Faz-se mister reverenciar os povos originários e principalmente exaltar a relação reconhecidamente simbiótica entre esses povos e a natureza. Uma postura que nos remete à filosofia Ubuntu de valorização da natureza e um viver em harmonia com essa natureza que, muitas vezes, pode ser representada por uma árvore centenária ABATIDA na Praça da Eletro, sem que se tenha convencido a opinião pública a respeito da imperatividade de tal abate.
Por que usei o termo ABATE? Porque, na linguagem militar, esse é o termo para designar a eliminação ou neutralização de um inimigo. Desta forma, pergunto-me qual grau de inimizade ou risco que uma árvore centenária em frente ao Fórum e à futura HAVAN poderia representar?
Em nome da transparência e da moralidade é preciso que a prefeitura de Taubaté apresente o laudo que inviabilizava a permanência daquela árvore na Praça da saudosa Eletro-Radiobras. Uma praça que frequentei pela primeira vez em 1981. E ali, naquela época, a tal árvore inimiga,ora abatida, já se mostrava imponente e servindo de guarida para os casais apaixonados que ali se escoravam embalados por cantadas lamurientas e persistentes enquanto os artistas se apresentavam logo ali na frente.
Se você chegou até aqui, deve estar se perguntando: onde é que entra a MARDIÇOENTA da BOIADA?
A boiada entra no “jeito Novo de governar”.
Afinal de contas, foi uma figura abjeta chamada Ricardo Salles, enquanto ministro do meio ambiente do governo anterior, que sugeriu ao governo que o momento ideal de afrouxar a legislação ambiental era enquanto a opinião pública estava envolta na tragédia da pandemia COVID. Segundo esse ser, a pandemia era a grande oportunidade de “PASSAR A BOIADA”, burlando tudo que havia de norma reguladora de proteção ao meio ambiente. Daquele 22 de abril de 2020 até nossos dias, ‘ PASSAR A BOIADA’ adquiriu o sentido de afrouxamento de regras ambientais em prol de interesses escusos.
Ricardo Salles é deputado federal de São Paulo pelo Partido Novo.
Ricardo Salles é reu no STF por crime ambiental, exportação ilegal de madeira.
Um partido que não tem a menor pretensão de agradar quem se preocupa com o meio ambiente, muito menos com o serviço público.
Partido Novo governa Taubaté.
Se realmente temos um prefeito sério, com olhar voltado para os anseios da população e respeitador do meio ambiente, qualidades próprias dos grandes administradores, outra árvore será plantada naquele lugar, reparando a falta que esse “inimigo arbóreo” faria.
Aqui vai uma sugestão… se sobrar mais uma PRANTINHA, pega uns BROCO, faz um CERCADIN e PRANTA otro CALIPÊRO do lado do Joaquinzão. Porque até hoje ninguém explicou por que aquele eucalipto rosa foi abatido.
Será que estava com a mesma doença dessa árvore da Praça da Eletro?
Eu torço para que você, Sérgio Victor, plante outra árvore no local. Caso contrário, te asseguro que o próximo chefe do executivo de Taubaté removerá o que for colocado ali e plantará uma nova árvore.
SE É QUE VOCÊ ME ENTENDE!
Por fim, é de bom alvitre parafrasear Willian Shakespeare, quando, num breve lampejo escatológico, prenunciou uma Taubaté 500 anos antes ao afirmar: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa ‘HA-VAN’ filosofia”!