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Raízes que ecoam forte: o quilombo cultural da Imperatriz do Morro

O Festival Raízes Fortes foi mais que um evento: foi um grito coletivo de afirmação, um batuque na porta da consciência cultural da cidade. Taubaté aplaude de pé

Dimas Oliveira Junior | Data: 04/08/2025 11:45

Taubaté, dia 3, domingo ensolarado de agosto, céu azul como o estandarte da cultura popular. Na quadra da GRCES Imperatriz do Morro, o chão vibrou com os toques do tambor, o giro das saias e a força de uma ancestralidade que pulsa viva no corpo, na memória e na alma de quem resiste – e insiste – em fazer da arte um caminho possível. Assim nasceu o Festival Raízes Fortes, uma ode à cultura popular, idealizado, coordenado e dirigido com maestria pelo coletivo Baque Mulher Taubaté, através da Lei Aldir Blanc (PNAB). E que nome mais justo: raízes, sim, e fortes como poucas.

Foi um domingo para lavar a alma com maracatu, congada, rodas de conversa, oficinas e a sabedoria das mestras que não apenas cantam ou dançam, mas contam a história de um Brasil que sobrevive apesar de tudo. Oficinas de música e dança agitaram o corpo. E os debates, profundos como o toque do tambor, despertaram mentes e consciências.


E quem segura esse barco — ou melhor, esse baque — com elegância, visão e uma garra admirável é ela, Monique Reis, presidenta da Imperatriz do Morro, carinhosamente apelidada de “vedete do samba”. Uma mulher que entende que cultura não é adorno, é estrutura de resistência. Sob seu comando, a quadra da escola se transformou em muito mais que um espaço de ensaio de carnaval: virou quilombo moderno, trincheira de alegria, educação, memória e pertencimento.

O evento foi um desfile de talentos e tradições. Teve a potente Oficina de dança de Aline Valentim, o vigoroso Maracatu Nação Encanto do Pina com a mestra Joana, a emoção da Congada São Benedito do Alto do Cristo com Raniele Gomes, a energia do Jogo do Tamandaré com as mestras Fatinha & Regina, e a vibração do próprio Baque Mulher Taubaté.

A roda de conversa com lideranças trouxe reflexões certeiras, com a sempre maravilhosa Adalgiza Américo jogando luz sobre o papel das mulheres na manutenção da tradição. Além da presença magnética de Flávio Itajubá, do Maracatu Baque do Vale, o retrato da cultura popular no Vale.


O Festival Raízes Fortes foi mais que um evento: foi um grito coletivo de afirmação, um batuque na porta da consciência cultural da cidade. Taubaté aplaude de pé. E entende, enfim, que cultura não é passatempo, é passado, presente e futuro em forma de dança, canto e tambor.

Que esse quilombo siga crescendo, ecoando, educando e encantando. Que o Baque continue batendo. Que Monique continue presidindo com amor e coragem. Que a Imperatriz do Morro siga reinando — não apenas no samba, mas no coração da nossa cultura.

Salve o maracatu. Salve a ancestralidade. Salve as mulheres que tocam o mundo com o som do tambor.

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