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"ORTIZ JR. PERDEU O MANDATO. UHUUU!"

Aos críticos de plantão que, pela indolência mental, se dedicam apenas à leitura do título do artigo e, a partir desse título, formam a opinião rasa baseada no próprio discernimento epidérmico, qualidade típica dos nescientes, seres desprovidos de entendimento (desculpem-me por ser redundante nos adjetivos), quero avisar que esse artigo é sobre “VIRALATISMO SISTÊMICO”.

Paulo Ribeiro | Data: 31/07/2025 08:02

É oportuno lembrar para uma sociedade deficitária em interpretação de texto que uma frase entre aspas, como regra, é uma citação de uma terceira pessoa e não do autor do texto. Logo, a frase “Ortiz Jr perdeu o mandato. Uhuuu” não é minha, mas quero discorrer sobre ela para demonstrar quão tacanha é a nossa natureza.

Para discorrer sobre o assunto, quero citar dois pontos.

O primeiro é que na política não se tem amigos nem inimigos. Na política, temos aliados e adversários. E que esses papéis se invertem rapidamente conforme as ondas políticas, parafraseando o velho Tancredo Neves. O exemplo clássico dessa minha afirmativa pode ser constatada na declaração do ex presidente Bolsonaro, quando ainda deputado federal, na qual assegura que votou em Luis Inácio Lula da Silva para presidente no segundo turno da eleição de 2002. De aliados políticos outrora a adversários ferrenhos na atualidade.

O segundo ponto é que o Estado de São Paulo tem 645 municípios e 94 deputados estaduais. Taubaté, por algum tempo, teve o privilégio de ocupar uma dessas 94 cadeiras na Assembleia Legislativa recentemente. Fato que há muito tempo não se via.

Ortiz Junior foi alçado ao cargo de Deputado Estadual em razão de vacância de cargo e pela qualidade de suplente. O que deveria ser motivo de contentamento unânime pela população de Taubaté, principalmente pelas pessoas politicamente esclarecidas, virou algo parecido com o “torcer contra” a figura do deputado genuinamente taubateano.

Pus-me a matutar tentando encontrar uma explicação para essa aversão a um santo de casa. Tudo bem que santo de casa não faz milagre, mas na política precisamos sim dos santos de casa, pois os políticos de outras casas não se preocupam com a nossa cidade.

Não precisei refletir muito para entender essa bizarrice. Ela simplesmente repousa na inobservância dessa regra: na política não há amigos ou inimigos. Ortiz Jr foi meu adversário em uma disputa que acabou no momento da apuração. Ao assumir a cadeira de Deputado Estadual, passei a respeitá-lo como o único e legítimo representante de Taubaté no legislativo estadual.

Não foram poucas as vezes em que eu ouvia pessoas esclarecidas dizendo, e torcendo, que Júnior perderia o mandato. E quando esse fato aconteceu, uma dessas pessoas, tal qual um arauto dos mortos, em amplo sorriso, bradou a plenos pulmões: “ORTIZ JR PERDEU O MANDATO. UHUUU!”.

Confesso que fui ingênuo ao espantar-me com essa efusividade masoquista de alguém até certo ponto esclarecido, mas sem condições intelectuais de analisar cenário político. Afinal, por pior que seja um deputado estadual da cidade, esse representante, vez ou outra será encontrado perambulando pelas ruas de Taubaté. Será abordado mesmo que não queira.

Taubaté tem se mostrado um celeiro multifacetado quanto à destinação dos votos nas escolhas para deputados estaduais e federais. Por essa razão, políticos profissionais travestidos de defensores das causas “caipiras”, às vésperas das eleições, fazem incursões na cidade e encantam muitos eleitores. Beliscam esses votos e desaparecem por quatro anos e o ciclo se repete.

Há um terceiro ponto que julgo fundamental ser considerado: o PRAGMATISMO POLÍTICO que se baseia nos resultados práticos de uma escolha. Assim é fundamental que levemos em conta muito mais os resultados advindos de nossas escolhas na hora do voto do que o grau de amizade ou inimizade com determinado candidato.

A situação do deputado legitimamente militante de Taubaté e de todo o Vale do Paraíba era controversa juridicamente, porém não se poderia ficar torcendo para que ele se desse mal nessa empreitada.

Reitero que é fundamental termos um deputado para chamarmos de “nosso”. Alguém que pelo menos quinzenalmente encontraremos zanzando pelas ruas do centro ou comendo pastel e tomando caldo de cana no mercado central nos finais de semana.

O nosso deputado “temporário”, para mostrar compromisso com a região, teve como primeira providência abrir um escritório político na cidade e ali se fazendo presente segundas e sextas feiras, conforme as agendas permitissem.

Longe de ser um porta-voz do jovem mancebo do Bonfim, quero apenas dar o testemunho como participante do evento de abertura daquele escritório político. Em razão do número de políticos presentes, inclusive prefeitos, em breve teremos um legítimo representante do povo taubateano, seja na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal.

Sem dúvida que na Câmara Federal, precisamos de políticos que não decepcionem nosso voto, fugindo para os Estados Unidos a fim de conspirar contra a soberania nacional e, reiteradamente, incidir na prática de crimes de lesa-pátria.

Maturidade política também é isso: reconhecer as diferenças, respeitar os adversários, aceitar o resultado das urnas e principalmente abster-se das paixões e, de forma racional, escolher o que é melhor para nossa cidade.

Taubaté está precisando de uma união de esforços. Neste momento não há porque se encantar com o que é de fora. Nossa história grita pelo nosso protagonismo.

Outrora eivada de veleidades, a nossa história precisa ser resgatada pelo protagonismo que sempre campeou essas imensas paragens e de onde partiram controversos caminhos que ampliaram nosso mundo.

O momento é de pensar na cidade e em todos que possam resgatar-nos.

O momento também é de abandonar o que for irrelevante.

Por fim, chegamos a um dilema:

OU DAMO-NOS AS MÃOS E SEGUIMOS JUNTOS OU AFUNDAREMOS SEPARADOS.

Pense nisso… se for possível.

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