O DIABO CURA, FREI GILSON?
“Melhor ser surdo que ouvir besteiras”. Por certo, não me causou espanto quando o religioso intitulado “Frei Gilson” assegurou que o diabo realiza curas. Uma aberração teológica que só poderia vir de alguém pouco familiarizado com as Sagradas Escrituras.
A CURA É UM DOM DIVINO!
O diabo, um anjo caído, tem apenas o dom de iludir, qualidade que sobra para muitos falsos profetas que hoje se apresentam garantindo, para os pobres, a vida eterna no céu, enquanto aqui na terra, esses falsos profetas estão a serviço de quem explora o semelhante.
A ignorância desse religioso não está apenas relacionada ao Livro Sagrado. Arrisco, com pouca chance de errar, que ele desconhece o quarteto de encíclicas que norteiam a doutrina social da igreja que começou com Leão XIII, em 1891 com “Rerum Novarum”, fechando o quarteto, em 1991, com a Encíclica “Centesimus Annus”, de autoria de São João Paulo II.
A igreja cristã precisa entender que o Cristo a ser reverenciado é o Cristo Histórico. Um Deus que, pela CONSUBSTANCIAÇÃO, se fez carne e habitou no nosso meio, trabalhando como humano, operando milagres, realizando curas e vivendo no seio de uma família sem posse. Em que pese haver religioso dizendo que Ele era rico, pois tinha uma casa na beira da praia.
A igreja jamais deve se eximir da sua missão de seguir os passos desse Cristo Histórico que foi martirizado, não por adotar uma postura contemplativa, mas por defenestrar os “sepulcros caiados” e chicotear os vendilhões do templo (faltariam-lhe chicotes se Ele resolvesse dar uma voltinha em alguns templos brasileiros).
A ignorância, como ausência de conhecimento, não pode fazer parte do mundo de quem tem a obrigação de conduzir pessoas na mais sublime fé. As três virtudes teologais FÉ-ESPERANÇA-CARIDADE formam a base de qualquer caminhada, não só cristã, mas humana. Fé em uma salvação integral, Esperança em uma JUSTIÇA PLENA e Caridade que torna todos os homens verdadeiramente irmãos em Cristo, esse Cristo Revolucionário e não contemplativo. Afinal, “os joelhos nada são sem as mãos” e a fé, sem obras, é morta. Por essa razão que a CARIDADE é a mais importante das virtudes teologais.
Principalmente na América Latina, após o Concílio Vaticano II, a Igreja abraçou a doutrina social e foi ao encontro dos menos favorecidos com a famosa Carta de Puebla e sua opção preferencial pelos pobres por entender que: mais que santificar, é preciso preocupar-se com o sustento e com as condições das pessoas para que todos tenham vida em abundância.
A ignorância, como sinônimo de estupidez, também orbita o universo desse pseudo representante divino ao associar a figura do diabo às religiões de matriz africana e ao espiritismo numa clara demonstração de conduta criminosa por intolerância religiosa. Mal sabe esse apedeuta que o diabo é uma criatura divina que só existe na doutrina judaico-cristã a começar por Satã no Livro de Jó.
Creio que, por falta do que fazer, esse religioso intitulado frei Gilson deveria assistir ao filme “Dois Papas” e se preocupar mais com a debandada de católicos dos templos ao mesmo tempo em que as religiões de matriz africana foram as que mais cresceram no país, segundo o último censo.
DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS E “NA CASA DO MEU PAI TEM MUITAS MORADAS”.
Papa Francisco, que em breve será canonizado, in “Fratelli Tutti”, garantiu que a amizade e a fraternidade são fundamentos para construir um mundo melhor, pacífico e com mais justiça, como Cristo sempre buscou.
Nada é tão ruim que não possa piorar na vida desse “show-man”. A cereja do bolo foi quando o bispo Adair, de Formosa-GO, resolveu pedir a Nossa Senhora Aparecida que impeça o comunismo de chegar até nós. O correto seria pedir fortaleza aos religiosos para que não houvesse casos de pedofilia envolvendo alguns e que também não houvesse casos de desvios de dinheiro do dízimo como aconteceu na sua diocese em Formosa, onde bispo e padres foram presos acusados de desviar R$ 1 milhão por ano.
Recomendo a esse bispo “anticomunista”, que não deve saber o que é isso, que revisite a biblioteca da doutrina social da igreja para entender que a igreja não deve propor sistemas ou modelos de organização social. Isso não faz parte da missão que lhe foi confiada pelo Cristo Histórico. E que também ao se arvorar como arauto do anticomunismo, Sua Excelência Reverendíssima deveria saber que Sua Santidade Papa Leão XIII garantiu que é desumano usar os homens como meros instrumentos de lucro.
E QUEM FAZ ISSO COM MAESTRIA É O CAPITALISMO!
Frei Gilson e Dom Adair não podem recusar obediência a uma Encíclica, pois agridem frontalmente um dos dogmas da Igreja Católica que é o dogma da infalibilidade papal.
Leão XIII começou esse olhar social da Igreja e Leão XIV abraçou “in totum” esse pensamento por entender que o seu pontificado não pode tapar os ouvidos diante dos numerosos desequilíbrios e injustiças que assolam trabalhadores e sociedades. O atual Santo Padre defende que as desigualdades precisam ser remediadas. E isso vai exigir muita ação e não apenas contemplação ou louvor para acalmar consciência enquanto se espera a entrada no Paraíso.
A contemplação acalma, mas a ação inquieta. Por isso recomendo refletirem sobre a poesia de Padre Zezinho, aqui de Taubaté, intitulada “Paz Inquieta”. Isso já ajudará a ambos e a outros sepulcros caiados que torceram pela morte do Papa Francisco e depois foram comungar.
Tenham certeza de que nos encontraremos na eternidade.
E não estou falando de Paraíso.
SE É QUE VOCÊ ME ENTENDE!