Márcio Carnêiro, o artista plural que faz da vida sua maior tela!
Há homens que parecem nascer fadados a deixar sua marca em todas as esquinas da vida. Márcio Carnêiro é desses. Taubaté o conhece como gestor cultural, ex-Secretário de Cultura e Turismo, hoje Diretor de Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Mas reduzi-lo ao cargo é tão injusto quanto tentar aprisionar um quadro seu dentro de palavras: impossível conter o transbordo.
Carnêiro é, antes de tudo, um artista completo.
Suas telas não se limitam à tinta; respiram, falam, emocionam. Há nelas uma
inquietação que só os verdadeiros criadores carregam — e que o público, seja em
Taubaté ou em qualquer canto do Brasil, reconhece de imediato. Quem se detém
diante de uma obra sua não sai ileso.
Mas a vida, generosa, lhe deu ainda outro dom: o da
palavra. Se nas artes plásticas Márcio pintou cores, na literatura começou a
bordar memórias. Primeiro, com a estreia em Eita Nóis, mostrou que
escrever podia ser tão visceral quanto pintar. Depois, com Firmino, o
Guardião da Fé, tocou o coração da cidade ao resgatar a história do
ex-escravizado que se tornou símbolo de virtude, justiça e devoção em Taubaté.
E já anuncia um terceiro livro — sinal de que a pena, como o pincel, ainda tem
muito a oferecer.
Talvez esteja aí a grandeza de Márcio Carnêiro:
transitar entre artes visuais, literatura e gestão cultural com a mesma
naturalidade de quem muda o pincel de mão. Ele inspira porque vive o que faz, e
faz com a convicção dos que sabem estar servindo não a si mesmos, mas a uma
comunidade inteira.
E, em meio a tantas realizações, guardo
uma gratidão pessoal e eterna a Márcio Carnêiro. Foi ele, quando ocupava o
cargo de Secretário de Cultura, quem acreditou e tornou realidade a edição do
meu livro Mulheres de Taubaté. Um gesto que, para além da parceria
institucional, revelou sua sensibilidade em reconhecer o valor da memória e da
história de nossa gente. Esse apoio ficará sempre registrado não apenas nas
páginas do livro, mas também no coração de quem acredita que cultura é,
sobretudo, um ato de generosidade.
Num tempo em que a cultura tantas vezes é deixada
de lado, Taubaté tem em Márcio Carnêiro não apenas um gestor, mas um alicerce.
Um presente raro, desses que fazem a cidade respirar fundo e perceber: a arte,
afinal, é o que nos mantém vivos.