ENTRE ONDAS E PALCOS: A VIDA SONORA DE WILSON DE ANDRADE
Recebi do meu amigo, o Mestre em História do Brasil, Nino Dourado, essa matéria maravilhosa sobre a vida de um taubateano esquecido por muitos: Wilson de Andrade.
Artista talentoso, ele brilhou nos palcos e nas emissoras de Rádio e TV do Brasil, deixando um legado que merece ser lembrado e celebrado. Parabéns pela pesquisa, Nino. Taubaté agradece! (Dimas Oliveira Junior)
Wilson Roberti de Andrade, mais conhecido como Wilson de Andrade, nasceu em 15 de junho de 1917, na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. Filho de Benedito Moreira de Andrade, respeitado comerciante local, e de Josephina Roberti de Andrade, imigrante italiana natural de San Marco Argentano, na Calábria, que chegou ao Brasil em 1914, aos 14 anos de idade. Josephina logo se estabeleceu em Taubaté, onde conheceu e se casou com Benedito.
Órfão de pai aos oito anos, após o falecimento de Benedito em 1925, Wilson passou a residir com a família na capital paulista. Desde cedo demonstrou vocação para a música, destacando-se por sua voz potente e presença de palco. Ainda adolescente, deu os primeiros passos na carreira artística ao ingressar como cantor na Rádio Record.
Nos anos 1940, iniciou sua trajetória profissional de forma consistente, atuando em algumas das mais prestigiadas emissoras do país, como as rádios Nacional, Globo, Jornal do Brasil, Record, Cultura, Excelsior e Rádio Nacional de São Paulo, nesse meio cultivou diversas amizades, entre tantas podemos citar a amizade com a cantora Aracy de Almeida. Wilson levou seu talento para fora do Brasil, sendo ouvido em emissoras do Chile, da Argentina e do Uruguai.

Sua carreira também se expandiu para o cinema e o teatro de revista. Participou do filme “Luz dos Meus Olhos” (1947) e brilhou nos palcos dos lendários cassinos da Urca e Quitandinha, ao lado de artistas consagrados. Já na década de 1950, Wilson também protagonizou momentos na televisão, apresentando um programa musical diário na TV Paulista (Canal 5), que ia ao ar ao meio-dia, encantando o público com seu carisma.
No exterior, viveu um período em Buenos Aires, onde continuou a cantar e a conquistar novos admiradores. Morou também em Santos, no litoral paulista, mas manteve sempre viva sua ligação com Taubaté, onde residiu na Rua Marquês do Herval, número 471 — imóvel que ainda existe conforme recebemos as fotografias atualizadas, enviadas pelo amigo cineasta Dimas de Oliveira.
Embora nunca tenha constituído família, Wilson era muito próximo dos sobrinhos, com quem mantinha laços afetivos fortes. Dentre suas amizades marcantes está a do célebre tenor e ator mexicano José Mojica, que se tornou frei. Mojica costumava visitar a família de Wilson em suas passagens pelo Brasil. Juntos,gravaram o LP Vozes Harmoniosas, com a participação também de Pedro Geraldo, lançado pela gravadora Copacabana.
Wilson cultivou diversas amizades no meio artístico, incluindo o músico Orlando Retroz, o pintor Jurandir Aguiar, a atriz Ilona Massey e o artista Bill Farsen. Versátil, interpretou gêneros como mambo, marcha, toada e fox-canção, deixando registros importantes em discos lançados pelas gravadoras Odeon, Copacabana e Mocambo, conforme documentado na Discografia Brasileira e citado logo abaixo desse artigo.
Foi premiado em 1957 com o troféu “Campeões do Disco” , da TV PRF-3 de São Paulo, por sua interpretação da canção “Concerto de Outono” , em evento promovido pelo arroz Brejeiro.
Após encerrar sua carreira artística, passou seus últimos anos no bairro da Saúde, em São Paulo, vivendo de forma reservada até sua morte, em 1993. Seu legado artístico permanece preservado graças ao esforço de familiares e admiradores que reconhecem sua importância na história da música brasileira.

Agradecimentos especiais a Rubens Filippetti Vieira, sobrinho-neto de Wilson de Andrade, cuja dedicação em reunir documentos, fotos e memórias foi essencial para a construção deste perfil.
A pesquisa foi enriquecida por fontes da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que conserva o riquíssimo acervo de periódicos da chamada Era do Rádio e pelo acervo particular do autor dessas linhas.
Discografia de Wilson de Andrade
Discos de 78 rpm:
- 1941 – Gravadora Odeon
- Lado A: A mulher do seu Pereira (Alberto Scarombone –
- George Bass)
Lado B:
- Minha safona (Roberto Roberti – George Bass)
1950 – Gravadora Copacabana
Lado A:
- Capullito de alelí (Rafael Hernandez) Lado B: No me interesa (Julio Gutiérrez)
1957 – Gravadora Mocambo
- Lado A: Concerto de outono (Júlio Nagib – C. Bargoni) Lado B: Lá vem a ilusão (Heitor Carillo – Betinho)
LP (10 polegadas) – Gravadora Copacabana:
- 1956 - Vozes Harmoniosas – Participação de Wilson de Andrade, Frei José Mojica e Pedro Geraldo.
Nino Dourado
Mestre em História do Brasil –UFPI
Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí Sócio da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes