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Ensinar Inglês é Globalizar. Ensinar Libras é Humanizar.

A acessibilidade precisa ocupar espaço fixo na programação escolar e nos projetos culturais do país.

Dimas Oliveira Junior | Data: 23/02/2026 18:02

Se Paulo Freire resolvesse escrever sobre educação hoje, talvez começasse com uma ironia elegante: ensinamos o verbo irregular em inglês, mas ainda tropeçamos no verbo essencial da convivência, incluir.

A Língua Brasileira de Sinais não é adereço pedagógico, nem atividade complementar para constar em calendário escolar. LIBRAS é idioma oficial, é ponte, é ferramenta de cidadania. Assim como o inglês prepara para o mundo globalizado, Libras prepara para o mundo real, aquele em que as pessoas existem em suas diferenças e precisam se comunicar.

Pensar o futuro é pensar acessibilidade. Nos espetáculos teatrais, nos shows, no cinema e no audiovisual em geral, cresce, ainda que devagar, a preocupação em integrar pessoas com deficiência. Intérpretes em cena, legendas, recursos de acessibilidade, tecnologia assistiva. Não é favor. É direito. E, mais do que isso, é civilidade.

No último sábado, participei de uma oficina de Acessibilidade: LIBRAS, na Rede Cidade de Comunicação e Cidadania, Escola de Mídia Comunitária, conduzida por Mateus Oliveira e Débora Franzoni. Foi uma aula que misturou técnica e sensibilidade. Ali, muitos descobriram que acessibilidade não é apenas rampa ou legenda automática, é política pública, é legislação, é projeto bem estruturado, é respeito aplicado passo a passo.

Com clareza e domínio do tema, Mateus e Débora explicaram como inserir normas de acessibilidade em projetos culturais e até em propostas de lei. Traduziram o que parecia distante em algo possível e urgente. E fizeram isso com simpatia, método e envolvimento, qualidade rara e necessária.

Meus aplausos também a Mário Jefferson Leite Melo, André Ferreira, Luiz Cláudio Daniel, Cláudia Perroni e Thainã Soares, que contribuíram para que essa oficina acontecesse com a seriedade que o tema exige.

Oficinas como essa não ampliam apenas vocabulário, ampliam consciência. E talvez seja essa a maior lição: inclusão não se improvisa, se aprende.

Que LIBRAS esteja nas escolas com a mesma naturalidade do inglês. Porque o futuro não será acessível por decreto. Será acessível por formação.

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