Ensinar Inglês é Globalizar. Ensinar Libras é Humanizar.
A acessibilidade precisa ocupar espaço fixo na programação escolar e nos projetos culturais do país.
Se Paulo Freire resolvesse escrever sobre
educação hoje, talvez começasse com uma ironia elegante: ensinamos o verbo
irregular em inglês, mas ainda tropeçamos no verbo essencial da convivência,
incluir.
A Língua Brasileira de Sinais não é adereço
pedagógico, nem atividade complementar para constar em calendário escolar. LIBRAS
é idioma oficial, é ponte, é ferramenta de cidadania. Assim como o
inglês prepara para o mundo globalizado, Libras prepara para o mundo real,
aquele em que as pessoas existem em suas diferenças e precisam se comunicar.
Pensar o futuro é pensar acessibilidade. Nos
espetáculos teatrais, nos shows, no cinema e no audiovisual em geral, cresce,
ainda que devagar, a preocupação em integrar pessoas com deficiência.
Intérpretes em cena, legendas, recursos de acessibilidade, tecnologia
assistiva. Não é favor. É direito. E, mais do que isso, é civilidade.
No último sábado, participei de uma oficina de
Acessibilidade: LIBRAS, na Rede Cidade de
Comunicação e Cidadania, Escola de Mídia Comunitária, conduzida por Mateus Oliveira e Débora Franzoni. Foi uma aula que
misturou técnica e sensibilidade. Ali, muitos descobriram que acessibilidade
não é apenas rampa ou legenda automática, é política pública, é legislação, é
projeto bem estruturado, é respeito aplicado passo a passo.
Com clareza e domínio do tema, Mateus e Débora
explicaram como inserir normas de acessibilidade em projetos culturais e até em
propostas de lei. Traduziram o que parecia distante em algo possível e urgente.
E fizeram isso com simpatia, método e envolvimento, qualidade rara e
necessária.
Meus aplausos também a Mário Jefferson
Leite Melo, André Ferreira, Luiz Cláudio
Daniel, Cláudia Perroni e Thainã Soares,
que contribuíram para que essa oficina acontecesse com a seriedade que o tema
exige.
Oficinas como essa não ampliam apenas
vocabulário, ampliam consciência. E talvez seja essa a maior lição: inclusão
não se improvisa, se aprende.
Que LIBRAS esteja nas escolas com a mesma
naturalidade do inglês. Porque o futuro não será acessível por decreto. Será acessível
por formação.