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Dia Nacional do Samba: um canto à memória e à raiz da música brasileira

“Mais do que um ritmo, o samba é a alma pulsante do Brasil, e no Dia Nacional do Samba, celebrado em 2 de dezembro, reverenciar Donga é reconhecer as origens negras, populares e resistentes que moldaram a identidade musical de todo um país.”

Dimas Oliveira Junior | Data: 02/12/2025 12:41

No Brasil, poucos gêneros traduzem tão bem a alma de um povo quanto o samba. Ele é mais do que ritmo, é identidade, resistência, memória e expressão coletiva. E é por isso que, a cada 2 de dezembro, celebramos o Dia Nacional do Samba, uma data criada para reconhecer e reverenciar os mestres que construíram, com suor e poesia, um dos pilares da nossa cultura popular.

A origem dessa celebração remonta a 1940, quando o vereador Luiz Monteiro da Costa, da Bahia, propôs a criação da data em homenagem ao compositor Donga, autor de “Pelo Telefone” (1916), o primeiro samba registrado oficialmente no Brasil. A justificativa era simples, mas poderosa: reconhecer a importância do gênero e homenagear aquele que simbolizava a sua gênese.

O Dia Nacional do Samba nasceu, portanto, como um ato de respeito histórico e cultural, mas também como um gesto político. O samba, tantas vezes marginalizado e perseguido, encontrou nessa data um marco de legitimação e orgulho nacional.

Donga, nascido Ernesto dos Santos em 1890, no Rio de Janeiro, foi mais do que um músico: foi um visionário. Cresceu no ambiente do samba de terreiro, da Pequena África, e soube levar para o papel e para o registro fonográfico a batida que já vibrava nos quintais, nos morros e nas rodas de resistência. Com “Pelo Telefone”, abriu as portas para a profissionalização do gênero, criando uma ponte entre o samba popular e o universo da música urbana brasileira.

Mas Donga representa mais do que uma canção inaugural. Ele simboliza a luta de uma geração de artistas negros que transformaram dor em arte e discriminação em ritmo, e que, muitas vezes, tiveram seu valor abafado pela história oficial.

Resgatar o nome de Donga, hoje, é reparar uma dívida cultural, reconhecer sua contribuição e reafirmar o papel central da cultura afro-brasileira na formação da nossa identidade nacional.

Celebrar o Dia Nacional do Samba é, portanto, mais do que dançar ou cantar: é lembrar que o samba nasceu da resistência, da coletividade e da voz dos que se recusaram a ser silenciados.
É olhar para o passado com respeito e para o futuro com consciência.

Porque enquanto houver batuque, corpo e memória, o samba seguirá vivo, como Donga, eterno em cada compasso, em cada batida do coração brasileiro.

“O samba não se aprende nos livros, se herda, se sente, se vive.”

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