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Dia do Cinema Mundial — O show não pode parar!

Ontem, 5 de novembro, o mundo celebrou a mais luminosa das artes: o Cinema, essa fábrica de sonhos que virou uma das maiores indústrias do planeta. Superou o aço, o petróleo e até o automóvel e tudo isso com algo intangível: emoção. Em tempos em que os números falam alto, o audiovisual responde com cifras bilionárias e corações arrebatados. O cinema é, sem dúvida, a mais rentável das paixões humanas.

Dimas Oliveira Junior | Data: 06/11/2025 08:09

Mas, enquanto o mundo celebra, o Brasil parece ainda não ter entendido o tamanho do tesouro que possui. Somos um país que exporta café, futebol e samba, mas já exportamos, também, talento cinematográfico, muito antes de termos sequer uma política cultural decente. É hora de lembrar e agradecer aos pioneiros brasileiros que brilharam nas telas de Hollywood e abriram as cortinas para o nosso talento além de nossas fronteiras.

Lia Torá, (1907-1972) Ela nasceu Horácia Corrêa D’Ávila na cidade do Rio de Janeiro, Começou a carreira como bailarina e cursou a Academia de Dança em Barcelona, na Espanha. Depois integrou a Companhia Velasco de teatro de revista e, em 1927, venceu um concurso promovido pela Fox, o “Beleza Fotogênica Feminina“, que a transformou em atriz com o nome de Lia Torá e a levou a filmar em Hollywood. Lá ela participou de sete filmes, entre eles, “A Mulher Enigma” de 1929. Retornou ao Brasil na década de 1940 e aqui fez dois filmes: “Sonhadores de Gloria” e “As Confissões de Frei Abóbora”, este último em 1971, em uma participação especial ao lado de Tarcísio Meira e Norma Bengell. Lia Torá faleceu no Rio de Janeiro. 

Olympio Guilherme, (1902-1973) jornalista, economista, escritor, ator, cineasta e romancista foi uma pessoa que marcou a história do Brasil e entretanto foi pouco conhecido e mal compreendido por suas ideias avançadas para sua época.

Olympio escreveu e publicou 12 livros, mais de 1.600 artigos, foi escolhido em 1927 pela “Fox Film” como o homem mais bonito do Brasil que o leva aos Estados Unidos. Sem nunca ter obtido fama pela Fox ele dirigiu um filme realista de sua autoria intitulado “Fome” em Hollywood.

Syn de Conde, (1894-1990) Foi o primeiro ator brasileiro a atuar em Hollywood, na época do cinema mudo, com uma carreira que durou apenas três anos, participando em nove filmes. Casou-se com norte-americana Anna Pauley. Mas em 1921 um amigo do pai de Syn, informou a este que o viu no filme Chama do Deserto, que estava sendo exibido no Cine Olympia, de Belém. O pai incrédulo foi a sala de projeção e descobriu que o filho, que deveria estar em Paris, estava escondido em Hollywood. Ao descobrir ordenou que ele voltasse imediatamente para casa. Em 1927, retornou ao Brasil e seguiu trabalhou como funcionário público do Ministério da Agricultura, até se aposentar. Neste mesmo ano, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, com saudades da fama, escalou um prédio na Avenida Rio Branco, imitando a cena de Harrold Lloyd no filme O Homem Mosca (Safety Last, 1923), ganhando novamente destaque nas publicações brasileiras.

Raul Roulien (1904-2000), foi o primeiro ator brasileiro a conquistar espaço em Hollywood. Começou sua carreira no teatro, onde criou o gênero “Teatro de Frivolidade” e gravou nove discos pela Odeon. Em 1931, mudou-se para os Estados Unidos e assinou contrato com a Fox Films, atuando em diversos filmes, entre eles Delicious e o clássico Flying Down to Rio (1933), ao lado de Ginger Rogers e Fred Astaire, onde cantou “Orchids in the Moonlight”. Foi também o responsável por descobrir Rita Hayworth, ainda jovem. Após uma tragédia pessoal e perseguições em Hollywood, retornou ao Brasil e passou a dirigir filmes como O Grito da Mocidade (1936) e Aves Sem Ninho (1939). Mais tarde, atuou como apresentador, jornalista e produtor de TV. Faleceu em São Paulo, aos 95 anos, deixando um legado pioneiro como o brasileiro que abriu as portas de Hollywood para futuras gerações de artistas nacionais.

Rosina Pagã, (1919-2014), Rosina Olivieri Cozzollino. Nascida em Itararé (SP). Atuou nos filmes mexicanos “Musica y Dinero”, “Calabacitas Tiernas” e “La Liga de Las Muchachas”. Em 1955, na cidade de Los Angeles, se casou e lá passou a residir. No mesmo ano, dublou a personagem “Lady”, no filme “A Dama e o Vagabundo”, de Walt Disney. Em 1957, gravou, pelo selo Rádio, o LP “Sucessos com Rosina Pagã” Abandonou a carreira artística logo a seguir. Passou a vir ao Brasil em ocasiões muito esporádicas para visitar a irmã Elvira que continuou a carreira solo de vedete de teatro de revistas. Gravou dez discos solo pelas gravadoras Continental, Odeon, Columbia e Victor. 


Aurora Miranda (1915-2005), irmã de Carmen, entrou para a história com a primeira interação de um ser humano com desenho animado, no filme Você já foi à Bahia? (1944), de Walt Disney , dançando e cantando ao lado do Pato Donald e do Zé Carioca, um feito tecnológico e artístico que pavimentou caminhos para o futuro da animação mundial.

E, claro, Carmen Miranda (1909-1955), a “Pequena Notável”, que transformou o Brasil em um símbolo pop antes mesmo dessa palavra existir. Com sua força cênica e sua originalidade, foi a mulher que levou o Brasil ao mapa do mundo. nascida em Portugal, mas brasileira de alma, que chegou ao Brasil com apenas 9 meses de vida  é a única artista do país a eternizar seus pés e mãos na Calçada da Fama de Hollywood. Um símbolo de que o talento, quando genuíno, ultrapassa fronteiras e se torna imortal.Uma artista que Hollywood quis copiar, mas jamais conseguiu igualar.

Ao celebrar o Dia do Cinema Mundial, precisamos lembrar que o cinema não é apenas arte  é indústria, é economia, é poder de influência. É ele que transforma cidades em polos criativos, movimenta empregos, valoriza turismo, promove identidades e exporta cultura.

O Brasil, com sua criatividade infinita, precisa aprender com seus próprios pioneiros: o cinema é investimento, é patrimônio e é futuro.E como diria o velho bordão dos bastidores de Hollywood, aquele que resiste a crises, pandemias e políticos:

“O show não pode parar!”


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