Brasil acompanha expectativa por “O Agente Secreto” e relembra trajetória histórica na maior premiação do cinema
Criado em 1929, o Oscar tornou-se o maior símbolo de reconhecimento da indústria cinematográfica
No próximo 15 de fevereiro, o mundo do
cinema estará atento à cerimônia do Oscar 2026, quando serão anunciados
os indicados e, na mesma noite, os premiados, na mais importante
celebração da indústria audiovisual mundial. Para o Brasil, cada presença na
disputa representa mais do que reconhecimento artístico: é afirmação cultural
no cenário internacional.
Este ano, O Agente Secreto desperta
expectativas e reacende o orgulho nacional, dando continuidade a uma trajetória
construída ao longo de décadas.
A importância do Oscar
Criado em 1929, o Oscar tornou-se o maior símbolo
de reconhecimento da indústria cinematográfica. Uma indicação já representa
projeção mundial e a vitória consolida obras e artistas na história do cinema.
O Brasil na história do Oscar
A caminhada brasileira na premiação é marcada por
momentos decisivos:
“O Pagador de Promessas” (1962), primeiro filme brasileiro
indicado a Melhor Filme Estrangeiro.
“O Quatrilho” (1995), retomada do Brasil à disputa
após mais de 30 anos.
“O Que É Isso, Companheiro?” (1997), nova indicação ao prêmio
internacional.
“Central do Brasil” (1998), indicado a Melhor Filme Estrangeiro
e rendeu a Fernanda Montenegro indicação a Melhor Atriz, feito
histórico.
“Cidade de Deus” (2003), quatro indicações (Direção,
Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem), consolidando o cinema brasileiro
contemporâneo.
“O Menino e o Mundo” (2015), indicado a Melhor Animação.
“Ainda Estou Aqui” (2025), vencedor do Oscar de Melhor
Filme Internacional, marco histórico para o Brasil.
Um fato pouco lembrado, mas fundamental
Muito
antes dessas indicações em longa-metragem, o Brasil já havia entrado para a história
do Oscar em outra categoria:
Melhor Canção Original: 1945 –
Música: “Rio de Janeiro” - Filme: Brasil
Ary Barroso (indicado junto a Ned Washington) - Primeiro brasileiro indicado ao Oscar
Ary
Barroso tornou-se, assim, o pioneiro brasileiro na premiação da Academia,
levando a música nacional ao reconhecimento internacional.
E em 2012 — “Real in Rio” - Filme: Rio - Sergio
Mendes e Carlinhos Brown (indicados juntamente com Siedah Garrett) - Indicação
a Melhor Canção Original
Esses momentos reforçam que a presença brasileira no Oscar não se limita ao cinema narrativo, mas também à força da nossa música, elemento essencial da identidade cultural do país.

Curiosidades do Oscar e o Brasil
A presença brasileira na história do Oscar vai
muito além das indicações oficiais. Ao longo das décadas, artistas e produções
ligadas ao Brasil marcaram momentos importantes na maior premiação do cinema
mundial.
As pioneiras brasileiras na cerimônia
As primeiras artistas brasileiras convidadas para
uma cerimônia do Oscar de que se tem notícia foram as irmãs Carmen Miranda e
Aurora Miranda, que estiveram presentes na 13ª edição da premiação, em
1941. Carmen, já consagrada em Hollywood, tornou-se um dos maiores símbolos
da cultura brasileira no exterior.
Produções estrangeiras com temática brasileira
Além das produções oficialmente indicadas pelo
Brasil, diversas obras estrangeiras que têm o Brasil como temática principal
também foram indicadas ao Oscar, entre elas:
Flying Down to Rio (EUA) –
comédia musical que ajudou a consolidar a imagem do Rio de Janeiro no
imaginário internacional;
L'Homme de Rio (França/Itália) – aventura que tem o Brasil como pano de fundo;
Alvorada – Aufbruch in Brasilien (Alemanha) –
documentário sobre o país.
Um marco importante foi Orfeu Negro (1959).
Embora tenha representado a França, o filme, falado em português e ambientado
no Rio de Janeiro, foi:
O primeiro filme latino-americano indicado ao
Oscar de Melhor Filme Internacional e o primeiro filme em língua portuguesa
a vencer o prêmio.
Música brasileira no palco do Oscar
O Brasil
também brilhou musicalmente nas cerimônias:
1968 (40ª cerimônia): Sérgio Mendes & Brasil '66
apresentaram a canção “The Look of Love”, do filme Casino Royale,
indicada a Melhor Canção Original.
2012: O próprio Sérgio Mendes voltou à disputa na mesma
categoria com “Real in Rio”, do filme Rio.
2003 (75ª cerimônia): Caetano Veloso, ao lado
da cantora mexicana Lila Downs, interpretou “Burn It Blue”, do filme Frida,
também indicada a Melhor Canção Original.
Brasileiros apresentando categorias
Na 59ª cerimônia do Oscar (1987), a atriz Sônia
Braga apresentou, ao lado de Michael Douglas, a categoria de Melhor
Curta-Metragem em Live-Action. Em um momento de carinho com o público
brasileiro, declarou em português: “Estou com muitas saudades.”
Um novo capítulo?
Com esse histórico, a expectativa em torno de O
Agente Secreto vai além da competição: representa continuidade,
maturidade artística e afirmação internacional.
Cada participação brasileira no Oscar reafirma que
nossas histórias, nossa música e nossa cultura têm relevância global. O dia 15
de fevereiro não será apenas uma data do calendário cinematográfico, será
mais um capítulo da relação do Brasil com a maior vitrine do cinema mundial.
E quando
o Brasil está na disputa, o sonho é coletivo.