BOLSONARO: A QUEDA DE UM MITO!
O tempo passa e A URNA PUNE! Esse líder, que se autodenominava "MITO" e era admirador de Hugo Chávez, conquistou seguidores em um transe coletivo, mas o tempo revelou sua falta de intelecto e traquejo político, culminando em sua queda.
Ao longo dos tempos, a História tem sido inflexível com seus vultos e, principalmente, com aqueles que se arvoram em ocupar espaços históricos reservados aos grandes homens.
Não entra pra História quem quer. Só vira história quem tem competência. Aos incapazes, a inclemência histórica lhes concede apenas virar estória ou, no máximo, a lata de lixo da História.
Pouco importa a auto denominação que um pretenso líder se alcunhe.
Aqui saio dos trocadilhos para entrar no tema concreto: um homem que se agigantou, apesar da sua pequenez, em um espaço político aberto pela omissão dos setores progressistas do País e cuja omissão (progressista) levou o país à bancarrota trazendo à reboque o esboroamento das instituições legalmente constituídas do povo brasileiro e um ataque frontal aos poderes constitucionais do Estado Brasileiro.
Naquele momento, buscava-se experimentar nova forma de governar. E o imaginário popular foi induzido a crer, dentro de uma visão messiânica, que a solução para o Brasil estava na vinda de um salvador, um messias. E esse “messias” chegou sob a forma e o slogan de MITO, um mito admirador de HUGO CHAVEZ e que via naquele caudilho “a salvação da América Latina”.
MITO! MITO! MITO!
Nas ruas, nas carreatas ou nas motociatas padrão Mussolini, esse era o mantra perene e que embalava o transe coletivo daqueles que acreditavam , tal qual Antônio Conselheiro, no inexistente.
O tempo passa e A URNA PUNE!
O país acordou de um transe coletivo e rasgou a página escrita por um mandatário sem base intelectual nenhuma, muito menos traquejo político que lhe garantisse a alcunha de MITO. Por quê? Porque um MITO se fundamenta em um RITO, ou seja, em um conjunto de procedimentos que permeiam sua natureza humana.
O arquétipo de um militar, sobretudo no papel de comandante, exige qualidades próprias do ALÉM-HOMEM, dentre elas, além do espírito de renúncia, a humildade e a coragem. Tudo isso faltou ao mito “tupiniquim”. Principalmente coragem. A covardia sempre ladeou a sua existência, seja pelo episódio dos explosivos na Adutora do Guandu, em 1986, ou junho de 2021, em Guaratinguetá quando bradou para uma jornalista de nossa região “CALA A BOCA!”. Dessa forma, o rito desse arremedo de mito foi se construindo com ataques diretos a populações minorizadas como mulheres, negros, indígenas e pessoas LGBTQIA+.
O requisito maior para ataques dessa natureza é a COVARDIA, um termo gravíssimo dentro do universo de um militar, na essência do termo. A covardia é irmã siamesa da SUBSERVIÊNCIA, inflingindo, aos lacaios, a perda da identidade pelo encanto a outros propósitos.
E é nesse momento que o caldo entorna pro lado do “ultranacionalista” brasileiro que presta continência à bandeira dos Estados Unidos.
Porém, rebuscando Cássia Eller, vejo que “o pra sempre sempre acaba”. O mito sucumbiu e, aos poucos, os encantados estão despertando de um sono letárgico embalado por esse flautista. Um despertar preciso antes do mergulho profundo e sem volta no rio do obscurantismo e do servilismo desenfreado.
Mas onde o tal MITO se perdeu? Em que momento o encanto foi quebrado? Nos momentos em que ele se acovardou. Quando todos esperavam o rugido de um leão, ouviu-se o leve ronronar de uma jaguatirica. Quando todos esperavam um paladino montado em um cavalo branco naquele 08 de janeiro, liderando seus séquitos, ele estava em fuga pelos Estados Unidos deixando seus apoiadores apodrecerem nas penitenciárias de Brasília aguardando as tais 72 horas.
Mas ainda havia um fio de esperança: o confronto com o tal Alexandre de Moraes no STF, durante o interrogatório sobre o nefasto 8 de janeiro. Seus admiradores nutriam a certeza de que o inelegível mito passaria por cima do Xandão, declamando um boletim de guerra e assumindo total responsabilidade por todos os atos praticados por seus seguidores, o que é próprio de um comandante militar cônscio de seus deveres. Ao mesmo tempo, também pensavam que o mito questionaria a legitimidade do julgamento bem como a autoridade daquele senhor chamado Alexandre de Moraes. Reiterando: em vez do rugido do leão, veio o ronronar da jaguatirica manifestado por expressões como “meu ministro”, “sim, senhor”, “peço desculpas” e a pior de todas “quero convidá-lo para ser meu vice”.
Como seguir um líder frouxo que se acovarda diante de outro homem?
Como confiar em um líder que coloca a culpa no próprio advogado dizendo que foi ele quem imprimiu a tal minuta do golpe?
O MITO se foi e é bom que tenha ido. A extrema direita clama por um novo referencial que traga na sua essência a coragem, a inteligência, a honestidade e o amor à “terra brasilis”, qualidades que passaram ao largo de um político inelegível, cuja teimosia e personalismo podem sepultar de vez a extrema direita no Brasil, para desespero dessa ala sem sentido.