BOLSONARISMO, UMA AUTOFAGIA DILACERANTE
Novamente venho trazer minhas inquietantes linhas que, a cada edição, têm atraído a atenção de um número maior de leitores. Independente de gostarem ou não dos meus posicionamentos, faço questão de agradecê-los pelo incentivo.
Hoje quero discorrer sobre o processo autofágico que assola o cenário político nacional nos últimos dias. Não quero falar sobre AUTOFAGIA das aulas de biologia. Quero abordar no sentido das relações político-sociais, pois, no campo da biologia, é um fenômeno benéfico de renovação. Porém, nas relações sociais, é um desaguar de tragédias que, longe da renovação celular, enterra todos os integrantes de um grupo social quando esse grupo é tomado pela fogueira das vaidades e seus integrantes perdem a noção de grupo e passam a agir em defesa de seus próprios interesses, encampando uma luta individual, cujos resultados devem ser alcançados independente das consequências geradas ao grupo que outrora haviam abraçado e jurado lealdade.
A família Bolsonaro sempre se preocupou em passar uma imagem de família perfeita apesar dos percalços “pretéritos” envolvendo todos, inclusive a ex primeira dama Michele. Os acidentes de percurso na história política do bolsonarismo, tendo como ápice os atos terroristas do 08 de janeiro de 2023, serviram como estopim para explosão da maior crise política que o clã poderia experimentar.
Com a implosão da família galopando a passos largos e na iminência do falecimento político pelo encarceramento do expoente que veio sob a forma de messias, as brigas familiares se intensificam e, transpondo as paredes do lar doce lar, expõem quão desesperadora é a situação desse grupo que pensava construir uma dinastia familiar pelas próximas décadas.
A família bolsonaro, por pura ingenuidade ou megalomania, não se deu conta de que não passava de um reles instrumento nas mãos da extrema direita e que seria descartada ao final do projeto ou na mudança do trajeto político nacional. Por um instante, Jair, o messias, imaginou que, acontecendo o golpe de estado, ele voltaria como mandatário autocrático. Ledo engano! A junta militar que assumiria o poder nem permitiria que ele retornasse ao País.
Mas como dizia minha saudosa mãe Rita Ribeiro, “o diabo ajuda a fazer mas não ajuda a esconder”. O plano foi descoberto e a “Operação Walkiria Tupiniquim” foi pro vinagre. E todos os meliantes terroristas estão amargando o braço firme da lei.
É preciso que os leitores saibam que o bolsonarismo nunca precisou de Bolsonaro. Jair Bolsonaro apenas serviu de personificação para um conjunto de ideias excludentes que sempre orbitou o consciente de classes privilegiadas desde o Brasil-Colônia. Através de discursos inflamados de potência, fizeram a população, menos abastada e sempre vítima dessa classe privilegiada, acreditar que também fazia parte dessa casta abastada. Para isso, bastou apenas falar o que esses desvalidos queriam ouvir, sem que ambos se preocupassem ser aquele discurso mentiroso.
As classes dominantes precisavam de um fantoche que falasse muita besteira, que fosse destemperado, de pouca elaboração mental e de intelectualidade quase nula. Viram no HOMEM BOMBA DO GUANDU esse potencial.
O resto já sabemos.
Essa trupe marchou uníssona para o poder e ali permaneceu como um monolito indivisível até os primeiros cismas. O mais emblemático deles foi quando o Senador Major Olímpio rompeu com o clã, pois insistia na tal CPI “Lava Toga”, pauta que a família bolsonaro achava desnecessária.
Ah, se arrependimento matasse…
A característica mais marcante da extrema direita é a intolerância. Começa a trucidar a outra ponta do espectro político, a extrema esquerda, passa pela esquerda, centro esquerda, centro, centro direita e direita. Quando todo esse mundo político é reduzido, a extrema direita começa a se consumir em um dantesco processo de AUTOFAGIA DILACERANTE que vai torturando pacientemente cada um de seus integrantes em uma fritura lenta, porém escaldante, vide a delação premiada de alguns envolvidos nos atos terroristas.
Infelizmente o BOLSONARISMO não se encerra com as exéquias políticas de Jair, o messias. Haverá um recuo para um grande salto em 2030 rumo ao Palácio do Planalto, pois 2026 a fatura já está liquidada, o que compele o chefe do executivo paulista a encarar a reeleição quase certa, em vez de aventurar-se em uma disputa presidencial com altas possibilidades de derrota.
Restará à extrema direita lançar um candidato boi de piranha para ser trucidado na disputa com o atual presidente da República. Romeu Zema se prestará magistralmente a esse papel. O plano é perder a presidência enquanto ganham a maioria do Senado Federal e assim terão um STF dos sonhos.
Ao fim, o bolsonarismo conseguiu separar amigos, separar famílias, separar casais, além de produzir centenas de milhares de mortos na pandemia de COVID pela intolerância e pela falta de empatia.
O feitiço finalmente voltou contra o feiticeiro e a família exemplar do lema hipócrita DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA se desfez definitivamente quando o filho fujão e traidor da pátria se dirigiu “carinhosamente” ao seu moribundo político pai com a seguinte frase: “VTNC, SEU INGRATO DO KRLHO!”.
Eis a manifestação máxima da autofagia dilacerante que consome a extrema direita brasileira.
No meu tempo de criança, se esse traidor falasse isso pra um pai, ficaria sem os dentes.
E DAÍ? NÃO SOU DENTISTA!